

Busca por hélice resgata marco do primeiro voo de Curitiba em 1914
O primeiro avião a voar em Curitiba teve a hélice quebrada durante o pouso, em abril de 1914. Mais de um século depois, o bisneto do fabricante procura a peça original e reúne documentos sobre a história da aviação paranaense.
Curitiba teve seu primeiro voo de avião em 1º de abril de 1914, no prado do Jockey Club. A aeronave, porém, quebrou a hélice durante a aterrissagem e poderia ficar parada por três meses, prazo estimado para a chegada de uma peça importada da Europa, sem similar no Brasil.
A solução foi encontrada em uma fábrica de pianos da Rua Aquidaban. Floriano Essenfelder, então com 24 anos, aceitou produzir a peça mesmo sem nunca ter visto uma hélice de perto. Talhada à mão, ela ficou pronta em 21 dias e foi descrita por um jornal da época como “mais leve e mais resistente que a original”. Depois, foi exposta na vitrine da loja O Louvre.
A produção abriu novas encomendas: uma cliente francesa pediu 20 unidades, e o Governo do Paraná encomendou outra para representar o Estado na Exposição Sul-Americana de Montevidéu, onde recebeu medalha de ouro. Ao todo, a fábrica produziu cerca de dez hélices. Nenhuma está hoje em Curitiba ou pertence à família Essenfelder.
A busca é conduzida por Cezar Essenfelder de Azevedo, bisneto de Floriano, que passou o último ano consultando jornais de 1914 e arquivos públicos. Uma possível peça foi identificada no Museu Casa de Santos Dumont, em Petrópolis, mas sua procedência ainda é investigada. A análise da madeira poderá indicar se ela foi produzida no Paraná ou se veio do exterior; por isso, o museu foi orientado a não remover a tinta vermelha antes do exame.
A pesquisa também revelou um segundo voo em Curitiba, em 21 de abril de 1914, e tenta identificar Jorge Leitner, apontado como responsável pela sugestão de procurar a fábrica de pianos. Enquanto procura a hélice original, Cezar encomendou uma reconstrução em tamanho real e organiza documentos, fotos e fac-símiles em um acervo digital público chamado Essenfelder Legacy. Caso a peça histórica seja encontrada, ele pretende que ela seja destinada a um museu no Paraná.
Fonte: Tribuna do Paraná
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