

Carne bovina: Paraná busca diversificar mercados diante de restrições externas
O Paraná está entre os dez principais produtores de carne bovina do Brasil, mas apenas 11 propriedades do Estado exportam para a União Europeia. Em debate da Comissão Técnica da Bovinocultura de Corte do Sistema FAEP, produtores discutiram alternativas diante das restrições da China e do bloco europeu.
A discussão sobre o mercado internacional ocorreu em outubro de 2026, em um cenário de limitações para a carne brasileira. A cota chinesa foi atingida em agosto, enquanto a União Europeia mantém restrições relacionadas ao uso de antimicrobianos. A China representou 42,5% dos embarques brasileiros no acumulado do ano, mas sua participação caiu para 5,6% em setembro.
De janeiro a setembro, o Brasil exportou 2,11 milhões de toneladas de carne bovina e faturou US$ 12,97 bilhões. O volume recuou 1,5% na comparação indicada pela fonte, mas a receita cresceu 14,1% e o preço médio aumentou 15,9%. Segundo Rafael Lima Filho, especialista da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a expectativa era de retomada das compras chinesas até o fim de outubro, após a chamada “virada de cota”.
Os Estados Unidos assumiram a liderança entre os destinos em setembro, com 21,5% dos embarques. De janeiro a setembro, as exportações brasileiras para o país cresceram 45% sobre o mesmo período de 2025. O mercado norte-americano também abriu uma cota extra de 300 mil toneladas de carne magra, válida de 1º de setembro a 30 de novembro.
Para a União Europeia, a avaliação apresentada no encontro é de que não havia previsão de retirada da restrição no curto ou médio prazo. As 19,7 mil toneladas registradas em setembro seriam de carne certificada antes da medida. Entre os mercados apontados como oportunidades estão Indonésia, Filipinas, Japão e Coreia do Sul, com destaque para destinos que pagam mais por carne de qualidade e valor agregado.
No Paraná, a estratégia discutida envolve nichos e produtos diferenciados. O Estado ocupa 2,3% do território nacional, tem poucos frigoríficos aptos à exportação e somente 11 propriedades habilitadas para vender à União Europeia, segundo o Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov). A avaliação apresentada foi de que produtores, cooperativas e empresas precisam garantir oferta constante e ampliar a capacidade de atender aos protocolos sanitários e ambientais.
O presidente da Comissão Técnica da Bovinocultura de Corte, Rodolfo Botelho, defendeu a abertura de novos mercados com apoio das embaixadas e dos adidos agrícolas. Para ele, a diversificação reduziria a dependência da China, enquanto a União Europeia, embora não tenha grande volume, funciona como referência para a entrada em outros destinos exigentes. O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, afirmou que a atualização sobre o mercado ajuda os produtores a tomar decisões em um período de mudanças rápidas.
Fonte: folhadepalotina.com.br
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