Em Maringá, casos de feminicídio desafiam perfil comum de agressores
Reprodução/Maringá Post
Paraná

Em Maringá, casos de feminicídio desafiam perfil comum de agressores

Maringá registrou um feminicídio consumado em 2024 e outro em 2025. Nos dois episódios, os autores eram servidores públicos, sem histórico criminal e vistos como integrados à comunidade, segundo levantamento citado por especialista.

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Por Redação Paraná Vitrine · 12 de setembro de 2026 às 20:44
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O caso do advogado João Vítor Domingues Romeiro, suspeito de matar a médica e ex-companheira Gassi Paola de Souza Mazia no sábado (5), reforça que os autores de feminicídio nem sempre correspondem aos estereótipos associados a esse tipo de crime. Em Maringá, os dois casos consumados registrados em 2024 e 2025 envolveram homens instruídos, servidores públicos e sem histórico criminal conhecido.

Para Ana Paula Toral, advogada, professora de Direito da Unicive e policial civil há 15 anos, esse padrão dificulta a identificação de um perfil único. Ela também destaca a necessidade de aprimorar os sistemas de informação usados para acompanhar a violência de gênero.

A especialista explica que a tipificação autônoma do feminicídio, prevista no artigo 121-A do Código Penal, facilitou a produção de estatísticas. No entanto, o Boletim de Ocorrência apresenta informações iniciais e pode não refletir a classificação final do caso. No Paraná, o Sistema de Controle de Ocorrências Letais (Escol) é atualizado durante a investigação.

Outro ponto analisado é a diferença entre lesão corporal e tentativa de feminicídio. A distinção depende da intenção do agressor e das circunstâncias do ataque: a investigação avalia se ele interrompeu a ação por vontade própria ou se foi impedido por terceiros.

Um levantamento acadêmico da Unicive indicou que a maioria dos feminicídios tentados ou consumados em Maringá nos anos de 2024 e 2025 foi praticada com armas brancas. Em situações de escalada da violência ou de não aceitação do fim do relacionamento, a Medida Protetiva de Urgência é apontada como mecanismo preventivo previsto pela Lei Maria da Penha.

A fonte também destaca a subnotificação de agressões de menor gravidade física. Muitas mulheres procuram a polícia apenas depois de episódios graves, quando relatam históricos de violência moral, psicológica, patrimonial ou sexual. Em Maringá, denúncias podem ser feitas pelo 190, da Polícia Militar, ou pelo 153, da Patrulha Maria da Penha.

Fonte: Maringá Post

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