

Defesa contesta tentativa de infanticídio em caso de bebê abandonada em Piraquara
A defesa de uma adolescente de 16 anos afirma que ela não tinha intenção de matar a recém-nascida deixada em uma sacola, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. A advogada Louise Mattar Assad questiona a condução da investigação e pretende pedir novas diligências.
O caso envolve uma adolescente, uma recém-nascida e uma investigação que, inicialmente, foi tratada pela Polícia Civil do Paraná como tentativa de infanticídio. A bebê foi encontrada na madrugada de segunda-feira (24), no bairro Guarituba, com hipotermia e fraturas, e encaminhada ao Hospital de Clínicas, em Curitiba.
A defesa afirma que a jovem não sabia que estava grávida e que o nascimento ocorreu de forma inesperada, após fortes cólicas. Segundo a advogada, a adolescente teria acreditado que a criança estava morta ao perceber que ela não chorou imediatamente e, sem saber como agir, colocou a bebê em uma sacola.
Louise Mattar Assad também contesta a forma como a adolescente foi ouvida pela polícia. Para a defesa, não foram seguidos protocolos específicos para o depoimento de adolescentes, e a classificação como tentativa de infanticídio deveria ser revista. A advogada sustenta que, no máximo, o caso poderia ser tratado como abandono de incapaz.
A Polícia Civil apresenta outra interpretação. O delegado João Paulo Pelaez disse que a adolescente foi ouvida como autora de ato infracional, na presença da mãe e com informação sobre seus direitos. Segundo ele, a jovem teria percebido que a bebê estava viva ao ouvir o choro depois do abandono, mas não retornou para socorrê-la.
Para a investigação, as circunstâncias — como o uso de sacos plásticos, a toalha, o terreno baldio e a madrugada fria — indicariam que a conduta teria assumido o risco de morte da criança. A classificação ainda pode ser analisada durante o andamento do caso, que continua. A adolescente e os responsáveis legais foram ouvidos e liberados, pois não havia situação de flagrante.
A defesa informou ainda que localizou o possível pai da bebê, disposto a fazer teste de DNA e, se confirmada a paternidade, pedir a guarda provisória. No momento, porém, a prioridade é esclarecer a situação criminal da adolescente, que está submetida a medida protetiva que impede sua aproximação da recém-nascida.
Fonte: aRede (Ponta Grossa)
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